Pastoral da Acolhida, uma proposta para o Bem da Comunidade


Pastoral da Acolhida, uma proposta para o Bem da Comunidade

Raimundo Freitas

OSDB - Pastoral da Acolhida

“Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo nos acolheu para a glória do Pai” (Rom 15,7). A Pastoral da Acolhida é um trabalho de acolhimento aos irmãos para que possam se sentir melhor nas missas e encontros. O objetivo da pastoral é preocupar-se em passar a imagem de comunidade bonita e acolhedora – o ideal e o que se espera de uma comunidade cristã. Essa imagem está muito ligada à qualidade de recepção. Ás pessoas que vêm à nossa Igreja devem voltar para casa mais felizes e agradecidas, com a sensação de que continuar participando faz bem.

A missão da Pastoral consiste em acolher com amor e dedicação os participantes das missas dominicais. Esse acolhimento é feito com um cumprimento e a entrega dos folhetos na porta da Igreja, acomodação das pessoas com uma maior atenção aos idosos, gestantes e portadores de deficiências. Prestação de socorro no caso de mal-estar ou outro problema, entrega de panfletos de interesse da paróquia, informações diversas e todas aquelas atenções necessárias para o bem-estar dos fiéis e a ordem básica durante as funções litúrgicas.

Nosso maior objetivo é proporcionar, com esse conjunto de atividades, um clima de maior entrosamento entre os participantes da missa e maiores condições para uma celebração mais confortável, alegre, séria e orante.

Os agentes da Pastoral da Acolhida são responsáveis pela comunicação interpessoal na comunidade. Garantem no dia-a-dia a Imagem da Igreja – Mãe acolhedora, e recebem em primeira mão sentimentos e desejos do povo de Deus. Procura-se cumprir a orientação bíblica: “Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo nos acolheu para a glória do Pai” (Rom 15,7). É um trabalho de acolhimento aos irmãos para que possam se sentir melhores nas missas e encontros, estando à disposição para cumprir com as necessidades da paróquia, promovendo a evangelização pelo testemunho dos evangelizadores.

Mas, o que é Acolher? Parece uma pergunta fácil, mas não é tão simples assim. Acolher alguém na Igreja tem um sentido especial, o acolhimento cristão é carregado de uma profundidade tamanha! Mas cremos que existem alguns segredos que devemos descobrir como uma espécie de tesouro escondido na comunidade.

Acolher, dizendo de forma rápida, é receber bem, e ir ao encontro de alguém. Isso já é uma essência do acolhimento. Receber bem aqueles que adentram à Igreja. O acolhimento é um serviço evangélico que prestamos à comunidade e por isso deve ser disciplinado com base na palavra de Deus, que motiva e anima os acolhedores a desempenharem um bom trabalho de pastoral. A atitude de acolhimento evangélico requer agudeza, sensibilidade e, acima de tudo disponibilidade em atender de forma criativa as pessoas.

Acolher é um gesto. E esse gesto é elevado à categoria de pastoral! Hoje em dia o povo vai onde se sente bem e ali permanece. A comunidade deve estar aberta a essa nova realidade, hoje não adianta mais somente fazer as coisas dentro da Igreja, é preciso sair, “ser missionário(a)”. A equipe deve ser um grupo de pessoas ouvintes. Quem fala são aqueles que entram e a equipe deve aprender a ouvi-los. Saber ouvir é aprender a evangelizar. Esse é o nosso trabalho de pastoral, é isso que tentamos por em prática!

Se as normas, leis ou obrigações fizessem o bom acolhedor seria muito fácil formar uma “Equipe de Acolhedores”, mas não é somente seguindo as normas que iremos acolher, poderemos receber bem, mas nunca acolher. Há grande diferença entre receber e acolher! O ato de Acolher exige Doação, Respeito e Amor (Amar o próximo como a si mesmo). Mas se formos conduzidos somente pelo amor, a possibilidade de termos problemas serão muito grande, pois teremos o amor individual e não o amor coletivo. Para termos o amor coletivo, temos de ter respeito e compromisso a doação.

Algumas regras básicas do acolhedor precisam ser observadas:

Não há necessidade de estender a mão a todos, somente aos mais íntimos. Um sorriso ou cumprimento é mais importante, portanto suficiente; é bom evitar cumprimentar com beijos, pode inibir os nãos íntimos; evite também ser estrela, com atitudes de acenos ou batidas nas costas; tratar todos com respeito e cortesia; conduzir até aos bancos, pessoas idosas, em cadeira de rodas, carrinhos de criança e crianças de colo; tentar identificar pessoas que estejam de passagem ou visitando a paróquia, para serem apresentadas à comunidade (principalmente pessoas de outros países ou estados); atender as crianças que estejam “atrapalhando” as celebrações, entretendo-as fora da Igreja; sempre chamar as pessoas de senhor ou senhora; falar ou orientar sempre em voz baixa; evitar risadas no interior da igreja; Jamais mascar chicletes durante a recepção; ser pontual; não usar óculos escuros na recepção; vestir-se com roupas formais e discretas; evitar gírias; na despedida sempre desejar “Volte Sempre” ou “Volte mais vezes”, colocando-se junto às portas de saída.

É importante que na procissão de saída, que o caminho esteja sempre liberado e sem aglomerações. Para o Acolhimento ser eficiente, devemos estar sempre atentos a todos os movimentos e atos ocorridos antes, durante e após a missa. Muitas pessoas passam necessidades, e sentem-se envergonhadas de pedir auxilio, se estivermos atentos notaremos o desconforto das pessoas, e poderemos ajuda-las. Observando as pessoas podemos identificar os paroquianos assíduos, onde é necessário criar um canal de comunicação para que todos se sintam em casa e os visitantes sempre tenham vontade de voltar.

Dentre todas as maneiras de bem receber, não podemos esquecer que estamos fazendo a Acolhida em local publico e para isto devemos ter consciência que nem todos estão com o mesmo objetivo ou necessidades. Num local de aglomerações de pessoas, sempre é possível ocorrer fatos que necessitem de um pronto atendimento. Para isto através de consulta ao Corpo de Bombeiro (se a cidade oferecer tal serviço): nunca oferecer qualquer tipo de remédio (os efeitos colaterais podem ser prejudicais a saúde da pessoa).

Numa queda, procurar isolar a área para que a pessoa consiga levantar-se sozinha, não havendo condições solicite o resgate. Num ataque epilético, proteger a pessoa, para que não se machuque, dando tempo e apoio a mesma, para que ela não se sinta envergonhada. Nos desmaios, isolar a área para ventilar, procure recobrar os sentidos pelos métodos naturais, na persistência chame mais pessoas.

Uma orientação importante: Havendo transporte da pessoa para um hospital, se ela estiver sozinha, é obrigatório o acompanhamento até a comunicação da família. Na formação do Acolhedor, como dissemos, o amor é o principal ingrediente para acolher, mas são necessários alguns complementos para aplicar este amor em comunidade e em grupo.

A Pastoral da Acolhida é muito mais do que o “atendimento ao público” de uma empresa. É um sinal de amor da própria comunidade, por isso, pessoa que assume este ministério da Pastoral da Acolhida deverá cultivar virtudes pessoais que a ajudam a ser simpática e acolhedora. A pastoral da acolhida pode realizar um belíssimo trabalho numa paróquia. Quem não gosta de ser bem acolhido?

A acolhida antes de ser uma tarefa é uma atitude que brota do coração. Uma atitude básica de acolhida e de escuta. Uma atitude que vai sendo cultivada a cada dia, é um testemunho cristão num mundo que vive o isolamento e individualismo. Somos chamados a sermos pessoas de Acolhida nas condições normais da nossa vida, a partir daquilo que somos e daquilo que fazemos.

São muitas as passagens do Evangelho que revelam o jeito de Jesus acolhedor. Para Jesus acolher é ir ao encontro, aproximar-se, buscar, convidar, caminhar junto… Portanto, os critérios para a acolhida fundamentam-se na Palavra de Deus, nas orientações da Igreja e nas necessidades da comunidade local. Na Bíblia encontramos Deus que acolhe o seu povo; Deus que vê e ouve e se manifesta através de pessoas seus profetas.

A atitude da acolhida sempre esteve presente nos ensinamentos de Jesus e nas primeiras comunidades. A melhor maneira de descobrirmos isso é o contato com os textos bíblicos. A palavra de Deus ilumina nossos passos e a palavra da Igreja também orienta, com abertura e sensibilidade seguindo o princípio da liberdade cristã. Essa atitude está alicerçada no respeito e realiza-se mediante o diálogo aberto, que valoriza a experiência do outro e o ajuda na sua busca, sem julgar, sem condenar, nem impor.

“Perseveravam na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Essas características que encontramos na primeira Comunidade Cristã não são apenas do passado. São sempre atuais na medida em que forem encontradas nas nossas comunidades hoje. Como seria bom se pudéssemos ouvir o que os primeiros cristãos ouviram daqueles que os observavam com admiração: “Vede como eles se amam”! A Igreja e a humanidade tem urgência de uma cultura da acolhida.

Raimundo Freitas

Seminarista da Diocese de Bragança-PA

Estudante do 2º Ano da Teologia

raimundofilosofreitas@yahoo.com.br

Tags:, , , ,

14 Comentários Quero comentar

  • Que bom! Assim como em todas as pastorais da igreja preparam seus membros, os ministros da acolhida devem ser preparados, para melhor desenvolverem seu ofício. O seminarista Raimundo Freitas com (Medonha) Sapiência, sentiu a necessidade de lembrar a importância dessa pastoral, que está tão esquecida nas paróquias da nossa diocese e das outras. Suas sugestões são ótimas e convido a todos que lerem este artigo que ponha em prática e passe a “bola pra frente”. Ao Raimundo meus parabéns! continue a fazer artigos, pois são muito proveitosos.

    Comentário por Fernando Fernandes — 18 de fevereiro de 2011 @ 14:58

  • É muito avançar cada vez mais na pastoral do acolhimento, a Igreja catolica fica adesejar com oacolhimento, eu sou catolica sou ministra da Exequia a 4 anos, mas é o que eu sinto dentro da minha igreja.

    Comentário por Maria Apa da Silva Biondo — 12 de abril de 2011 @ 12:55

  • Seria de grande importância que o acervo da prelazia do guamá ficasse expostos a sociedade bragantina (cofre da prelazia, maquinários de fabricar cerâmicas objetos oriundos da Itália, trazidos por Dom Eliseu, e por falar nisso alguém sabe nos responder que paradeiro tomou?

    Comentário por Martins — 18 de abril de 2011 @ 11:58

  • Fiquei muito feliz ao ler o artigo do nobre Raimundo. Não só na Igreja Católica, mas em todos os setores da sociedade há uma necessidade incessante de se praticar o acolhimento, seja na família, no trabalho, na escola, na Igreja, em quaisquer lugares onde esteja, é necessário você saber acolher a pessoa que vem ao seu encontro. Na verdade somos a imagem e semelhança de Deus por essa razão que precisamos trabalhar para que a pessoa que vem ao nosso encontro sinta a presença de Deus. Caro Raimundo, sou também estudante de Teologia e não consigo pensar em outro tema para desenvolver um artigo que não seja sobre o acolhimento. Acredito que Deus colocou você para divulgar esse belíssimo texto (artigo) sobre o colhimento. Parabéns pela dedicação e disponibilidade para o serviço missionário. Deus lhe ilumine!

    Dôra – Guanambi-BA

    Comentário por Maria das Dôres N C Araújo — 22 de fevereiro de 2012 @ 9:48

  • realmente precisamos dessa acolhida.estou trabalhando num projeto de acolhida, isso me ajudou bastante.se for possivel ajude me com mas ideias.

    Comentário por naide oliveira — 1 de junho de 2012 @ 22:27

  • Olá
    estava procurando uma dinamica para uma reunião
    da liturgia,onde eu vou dar uma palavrinha sobre acolhida
    e me deparei com tudo isso.amei saber que tem mais pessoas assim tão enteressadas em fazer um bom trabalho.
    eu sou a coordenadora da pastoral do dizímo e aqui na paroquia São José Operário em Araguaina-To. somos nos que fazemos acolhida,aqui ja fazemos esse trabalho exatamente assim.
    as vezes recebemos a comunidade tocando violão e cantando,costumamos fazer duas fileiras todos uniformizados,sorridentes,jogamos flores sobre eles…
    eles ficam todos sorridente,elogiam..enfim é uma maravilha.

    Comentário por cleonilda mendes — 1 de junho de 2012 @ 22:32

  • que bom, passei 11anos no dizimo, hoje estou na pastoral da comunicação servindo com muito amor para honra e glória de deus.

    Comentário por naide oliveira — 29 de setembro de 2012 @ 11:58

  • Confesso que foi por causa da Pastoral da Acolhida que decidi ficar na Paroquia que hoje frequento. E para honra e glória do Senhor sou a Coordenadora da Pastoral da Acolhida na Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Cristo em João Pessoa – Pb.
    Fiquei muito feliz ao ler este artigo que com certeza será muito útil para nossa Pastoral.
    Parabéns, Raimundo você realmente deu uma aula de catecismo sobre à Pastoral da Acolhida, que o Espirito Santo lhe ilumine sempre.
    Deus lhe abençoe.

    Comentário por Genilda Lima — 2 de maio de 2013 @ 15:06

  • Amei este artigo tão bem colocado, vai ajudar-me muito. Estou me preparando para esta pastoral em minha paróquia e preciso de ajuda, por isso peço encarecidamente que voce possa enviar-me mais orientações, se for possível. Que Deus o abençoe e ilumine. Muito grata.

    Comentário por Maria de Fatima — 20 de agosto de 2013 @ 19:23

  • Gostaria de Parabenizar, por esta orientação, para apastoral da acolhida nas paróquia, eu sou a coordenadora da minha paróquia em osasco, só que é uma pastoral que fica sempre esquecida, acho que deve ser respeitada, como todas as outras pastorais, ou melhor, porque as pessoas se empenham, no trabalho, não falta cumpre sempre a escala do dia, e não tem nenhuma veste, para se identificar, acaba se misturando com as outras pessoa e ninguém sabe quem é da acolhida, gostaria que o papa Francisco observasse esta pastoral com mais carinho.
    desde já fica com Deus. beijo

    Comentário por nilda albano da silva — 12 de novembro de 2013 @ 14:28

  • “Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo nos acolheu para a glória do Pai” (Rom 15,7). A Pastoral da Acolhida é um trabalho de acolhimento aos irmãos para que possam se sentir melhor nas missas e encontros. O objetivo da pastoral é preocupar-se em passar a imagem de comunidade bonita e acolhedora – o ideal e o que se espera de uma comunidade cristã. Essa imagem está muito ligada à qualidade de recepção. Ás pessoas que vêm à nossa Igreja devem voltar para casa mais felizes e agradecidas, com a sensação de que continuar participando faz bem.

    Concordo que é as pessoas que vão à Igreja devem voltar para casa felizes e agradecidas porque foram bem acolhidas, com um sorriso, com um “bom dia, seja bem vindo”, é maravilhoso sentirmos amados.
    Achei excelente esse artigo que nos mostra como deve ser uma Pastoral da Acolhida e todas as suas regras básicas.
    Acho de suma importância o ato de acolher com amor e dedicação a todos, que participarão da missa mas também acolher os do dia a dia que frequentam à Igreja. Porque é muito bom nos sentirmos amados. Acolher é um gesto concreto de AMOR. Se acolhermos bem com certeza não sairemos mais, vamos querer sempre voltar, porque quem não gosta de ser bem tratado? Jesus acolhia a todos e preciso ter sempre isso em mente.

    Parabéns ao Seminarista Raimundo por esse artigo que respondeu as várias dúvidas que tinha a respeito do Ministério do Acolhimento.

    Comentário por Regina — 22 de novembro de 2013 @ 22:37

  • Estou servindo na pastoral da minha comunidade e este artigo foi muito util pra mim. obrigado. Keila ortiz rocha (Presidente prudente _ sp)

    Comentário por keila ortiz rocha — 29 de dezembro de 2013 @ 18:43

  • Gostei dos Comentários mais eu gostaria de Receber alguns artigos que fala sobre a Pastoral da Acolhida para nosso orientar os nosso membros em nossa Comunidade da Capela São Francisco Xavier em Buritinópolis GO.

    Comentário por Elias Rodrigues da Silva — 22 de fevereiro de 2014 @ 16:34

  • Eu fico emocionada com tudo que jesus Cristo nos ensina através da Santa Igreja , ouvindo a Palavra de Deus e seus ensinamentos. A isto eu fico a contemplar tudo que Deus fez para o homem. Por tudo que Ele fez juntamente com a sua Mãe para mim. por esta razão fiz a minha crisma e daí comecei a participar da crisma e fui rezando, indo ao grupo de oração até chegar na acolhida. Algo que eu gosto muito. Peço ao Meu Senhor sempre o que Ele quer de mim. Fico sempre em oração.

    Comentário por Edilci ferreira de Sousa Coelho — 12 de abril de 2014 @ 14:12

Feed RSS para comentários sobre este post. TrackBack URL

Deixe um comentário



Sobre o autor

OSDB

A equipe de administração do site da Diocese de Bragança está procurando tornar cada vez menlhor e mais fácil a sua navegação pelo site.

E-mail Site Mais

Publicidade

Dados desta matéria